O Apito na Névoa
No ano em que os sinos perderam a conta e passaram a dobrar sem descanso, as estradas da Europa Oriental tornaram-se silenciosas.
Os mercados fecharam antes da tarde, as colheitas ficaram de pé por tempo demais e muitas portas receberam marcas que ninguém desejava explicar.
O que antes era uma região de aldeias, postos, pontes e mosteiros transformou-se em uma vasta rede de espera.
Os registros oficiais falavam em “interrupções”, “febres”, “ar carregado” e “necessidade de contenção”.
As famílias falavam menos. Os párocos escreviam mais. Os guardas erguiam barreiras onde antes havia comércio.
E os caminhos que serviam para levar pão, sal, madeira e notícia passaram a transportar listas seladas, cargas discretas e ordens assinadas com pressa.
Foi então que a Coroa, a Igreja e os poucos engenheiros ainda disponíveis aceitaram uma solução impopular:
adaptar uma locomotiva negra, sem brasão, sem luxo e sem passageiros, para cruzar as linhas que ainda resistiam.
Ela não foi criada para celebrar progresso. Foi criada para cumprir um dever.
Você é o condutor dessa composição. Seu nome pode ser lembrado no Livro dos Mortos ou desaparecer na fuligem.
Sua missão é recolher corpos e registros nas vilas, levar as cargas silenciosas às Valas Comuns, manter carvão suficiente,
preservar a Ordem da Linha e sobreviver tempo bastante para lacrar o Manifesto Final.
Tom narrativo: o jogo não trata vitória como festa. A vitória é dever cumprido.
O melhor resultado possível ainda é um documento carimbado: ENTREGUE.